Video: LATIDOAMÉRICA
Conferencias Episcopales
   
Medios Asociados
   
 
Noticias
23 de Diciembre, 2014
Navidad y ciudadanía

Imprimir
Imprimir

Reflexión de monseñor Genival Saraiva, obispo emérito de Palmares (Brasil).

Ante la cercanía de la Navidad, monseñor Genival Saraiva de França, obispo emérito de la diócesis de Palmares, en Brasil, reflexiona sobre el sentido de la ciudadanía cristiana.

Recordando las connotaciones y algunos sentidos posibles frente a la noción de ciudadanía, el obispo emérito expresa que “en razón a los trazos cívicos, culturales y políticos que se establecen, la ciudadanía nata tiene siempre un gran sentido en la vida del ciudadano y la adquirida siempre es portadora de un gran significado para quien la recibe”.

Desde el punto de vista cristiano, afirma que “bajo el prisma humano, el período de navidad es muy propicio para hacer la lectura de la importancia de la ciudadanía, gracias al espíritu de fraternidad y solidaridad que suscita en la mente y en el corazón de las personas”.

Así, al manifestar que “la Navidad recuerda a la humanidad que el nacimiento de Cristo, además de traer dignidad a su ciudadanía terrestre, le confiere el derecho de pertenecer a la ciudadanía eterna”, monseñor Saraiva también invita a considerar que “la comunidad de los discípulos de Jesús es el lugar de la solidaridad, donde los olvidados son recordados y pueden encontrar nueva esperanza y nueva vida”. Acoger a los hermanos y hermanas que sufren la injusticias, como los presos, los torturados, las víctimas de todo tipo de tráfico humano, los dependientes químicos, los enfermos y abandonados, es, por tanto, uno de los rasgos distintivos de los ciudadanos del Reino de Dios.

Se comparte a continuación el texto íntegro en portugués de monseñor Genival Saraiva, divulgado por la CNBB.

Natal e cidadania

Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares

A cidadania é um ato de pertença da pessoa a um município, estado ou nação, decorrente do seu nascimento ou da concessão por parte do poder competente. Há muitos elementos compreendidos na cidadania, a começar pela dimensão afetiva. Via de regra, no tocante à naturalidade, é muito viva a relação do cidadão com suas origens, por menor que seja e mais desconhecido que seja o lugar de seu nascimento; isso se manifesta de muitas maneiras, haja vista o retorno à sua terra em ocasiões especiais; o cidadão nato tem, igualmente, um vínculo político com sua nacionalidade, daí o amor ao seu país ser expresso, afetivamente, pela reverência aos seus símbolos e de sua exaltação, por exemplo, durante campeonatos esportivos e outros eventos entre nações. O título de cidadania fala, intensamente, ao coração de quem foi distinguido por essa concessão, por representar a certeza de sua identificação com esse espaço e pelo reconhecimento dessa inserção, por parte do poder concedente. Em razão dos traços cívicos, culturais e políticos que se estabelecem, a cidadania nata tem sempre um grande sentido na vida do cidadão e a adquirida sempre é portadora de grande significado para quem a recebe. 

O cidadão cristão é estimulado a ver sua pertença a determinado município, estado ou país através da dimensão religiosa. Nesse sentido, sob o prisma humano, o período natalino é muito propício para se fazer a leitura da importância da cidadania, graças ao espírito de fraternidade e solidariedade que suscita na mente e no coração das pessoas. Todavia, a importância maior dessa visão religiosa da cidadania reside no fato de conter uma dimensão mais profunda – a Encarnação de Jesus. Por esse mistério, o Filho de Deus, eterno como o pai e o Espírito Santo, humaniza-se no tempo e se torna semelhante a qualquer pessoa, à exceção do pecado, com ensina a Carta aos Hebreus: “ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar.” (Hb 4,15) Essa semelhança começa pela concepção de Jesus no ventre de Maria, embora não tenha existido a contribuição paterna, uma vez que a gravidez se deu “por obra do Espírito Santo”, como reza a Igreja na oração do “Creio”. No entanto, o mistério da Encarnação de Jesus não quis dispensar a participação materna e, por isso, como celebra a Liturgia da festa da Imaculada Conceição, no dia oito de dezembro, Maria foi isenta do pecado original “em previsão dos méritos de Cristo”.

A cidadania terrestre não representou um desmerecimento para Jesus porque, como ensina a Carta aos Filipenses, “Ele, existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano.” (Fl 2, 6-7) O Natal, porém, recorda à humanidade que o nascimento de Cristo, além de trazer dignidade à sua cidadania terrestre, conferiu-lhe o direito de pertença à cidadania eterna. Ao viver em sua comunidade a preparação e a celebração do Natal do Senhor, o cristão, enquanto vive no tempo, toma consciência do valor de sua cidadania terrestre e de sua missão. Por sinal, a Novena de Natal do Regional Nordeste 2 deste ano aponta essa direção aos cristãos :“A comunidade dos discípulos de Jesus é lugar de solidariedade, onde os esquecidos são lembrados e podem encontrar nova esperança e nova vida. É preciso acolher estes nossos irmãos e irmãs, injustiçados e injustiçadas: presos, torturados, vítimas de todo tipo de tráfico humano, dependentes químicos, doentes e abandonados.” A cidadania celeste, que é pura e plena gratuidade divina, está sempre associada ao Natal de Jesus que veio ao mundo para salvar a todos. 

ÓSCAR ELIZALDE PRADA
FUENTE: CNBB




Documento sin título