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17 de Mayo, 2016
Comisión de Pastoral de la Tierra celebra 29ª Asamblea Nacional en Brasil

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Los participantes divulgaron sus conclusiones a través de una Carta

La ciudad de Luziânia, en el estado brasileño de Goiânia, acogió la 29ª Asamblea Nacional de la Comisión de Pastoral de la Tierra (CPT), que tuvo lugar del 26 al 29 de abril, evocando la memoria de los obispos Tomás Balduino y José Moreira, incansables defensores de los derechos de los indígenas y de los campesinos, a dos años de su fallecimiento, llamando también la atención sobre los hechos de violencia y los asesinatos de numerosos líderes indígenas y campesinos, que en lo que va del año ya superan el número de 20.

Durante la Asamblea, el análisis de coyuntura estuvo a cargo del sacerdote belga François Houtart, de 91 años, quien vive en Ecuador.

Houtart se refirió al momento de crisis que afecta al mundo actualmente “fruto de la contradicción entre el capitalismo productivo y financiero”, y analizando algunas de las fases de esta realidad, como el aumento de la pobreza y del hambre. Asimismo, se refirió a la crisis de los países latinoamericanos y caribeños y a la contribución de la Iglesia en la construcción de nuevos paradigmas.

Ante estos escenarios, y de acuerdo con la Carta Final que fue dada a conocer al concluir la Asamblea, “la memoria de los luchadores del pueblo y de nuestros mártires, así como la fuerza inspiradora del Espíritu de Dios, nos anima a llevar adelante nuestra misión profética”, afirmaron los participantes del encuentro.

En efecto, de acuerdo con la CPT, “el Dios de la vida nos interpela a partir del clamor de los pobres”. Esta inspiración e iluminación incentiva a continuar “creyendo en la ‘Alegría del Evangelio’ de la Buena Nueva de Jesús de Nazaret”, y al compromiso osado para “construir relaciones y procesos de igualdad y democracia”, asumiendo una postura profética en la denuncia “de toda negación de los derechos de los campesinos y campesinas y de otros trabajadores y trabajadoras, al igual que de toda violencia y atentados contra la vida humana y la naturaleza”. De este modo, compete a la CPT continuar estimulando iniciativas que promuevan una “vida digna comunitaria, asociativa y cooperativa en la generación de trabajo digno, empleo y renta”, siempre al servicio de las comunidades y de su real protagonismo.

Por otra parte, en el contexto de su Asamblea Nacional la CPT también condenó los avances del capitalismo neoliberal en el campo, que busca apropiarse de las tierras y de los territorios de los pueblos indígenas y campesinos en nombre del desarrollo. “Se trata de una violencia creciente que amenaza y asesina”, señaló el organismo eclesial brasileño.

Lea, a continuación, la Carta Final de la 29ª Asamblea Nacional de la CPT, en portugués:

Carta Final da 29ª Assembleia Nacional da CPT

Estamos reunidos em Assembleia Nacional, há dois anos da morte de Dom José Moreira e de Dom Tomás Balduino e de tantos outros que nos precederam. Ficamos chocados pelas notícias de assassinatos, nestes dias, de camponeses e indígenas de vários recantos do País. Desde o começo do ano já somam mais de 20. Unidos aos povos do campo, das águas e das florestas, animados e orientados pelas luzes do nosso 4º Congresso, na noite de tempos difíceis, buscamos a água que sacia nossa sede de uma sociedade mais justa e solidária. Pois, como alerta­­­­­­­­­ o papa Francisco:

“onde há tantas desigualdades e são tantas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princípio do bem comum torna-se, como consequência lógica e inevitável, um apelo à solidariedade e uma opção preferencial pelos mais pobres” (Laudato Sì, nº 158). 

 

A memória dos lutadores do povo e de nossos mártires, bem como a força inspiradora do Espírito de Deus, nos animam a levar adiante nossa missão profética porque: 

 

  1. 1.     O Deus da vida nos interpela a partir do clamor dos pobres 

 

O avanço do capitalismo neoliberal no campo se apropria das terras e territórios em nome do desenvolvimento - o agro e hidronegócio, mineradoras e projetos de geração de energia. Trata-se de uma violência crescente que ameaça e assassina. Somada ao silêncio e conivência da mídia e do judiciário, potencializada pelo legislativo, apoiada pelos setores conservadores do País, provocam perdas de direitos e tornam os dias mais difíceis para os povos da terra e das cidades. A crise que o País hoje vive, marcada por conflitos de interesses e privilégios, provocou nossa Assembleia a emitir uma Nota Pública à sociedade e ao Senado. 

Esse modelo econômico desenvolvimentista leva à saída da juventude do campo, dificultando a vida camponesa. A maioria de nossos jovens camponeses, além de sentirem sua cultura inferiorizada e a política agrícola familiar e cooperativa desprotegida pelas políticas públicas, acabam nas periferias das grandes cidades, onde tem ocorrido o extermínio de jovens. 

Este mesmo modelo violenta as mulheres nos seus direitos e desejos. A cultura machista quer seu silêncio permanente e as submete à exploração de uma dupla jornada não reconhecida e que não permite a construção de sua autonomia. 

 

  1. 2.     O Deus da vida nos inspira e ilumina a... 

 

Continuar acreditando na “Alegria do Evangelho” da Boa Nova de Jesus de Nazaré, pessoa simples e pobre que nos estimula a estar junto aos mais vulneráveis do campo. 

Lutar pelos princípios do Bem Comum que orientam no sentido de uma sociedade justa e solidária, respeitando a Casa Comum, como lugar bom onde todos têm seu espaço de vida e de convivência harmoniosa e fraterna, é construir o Projeto de Deus. 

Continuar assumindo a missão e o serviço da CPT como uma prioridade em nossas vidas, sendo uma generosa entrega a aqueles e àquelas que necessitam de nós, como verdadeiros lutadores do povo e da construção de uma sociedade para todos. 

 

  1. 3.     O Deus da vida nos compromete a...

 

a) Sermos ousados/as em nosso modo agir, conviver e construir relações e processos de igualdade e democracia. Sentimos a urgência de nos organizar por meio de uma estrutura ágil e de um plano estratégico de ação.

b) Assumirmos nossa profecia na denúncia de toda negação dos direitos dos camponeses e camponesas e de outros trabalhadores e trabalhadoras, bem como de toda violência e atentados contra a vida humana e a natureza.

c) Estimularmos todas as iniciativas que geram vida digna comunitária, associativa e cooperativa na geração de trabalho digno, emprego e renda.

d) Mantermo-nos articulados com organizações que estejam a serviço do protagonismo das comunidades. 

Convocamos todos e todas companheiros/as e amigos/as da CPT a estarmos unidos em torno à luta pela terra e na terra, mantendo sempre nossa ousadia profética e nosso compromisso com os camponeses e seus direitos. 

 

Luziânia, 29 de abril de 2016. 

Os/as participantes da 29ª Assembleia Nacional da CPT

Autor: Noticelam
Fuentes: CNBB y CPT / Foto: CPT




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